CRETA :: Tecnologias de Reciclagem Aplicadas a Construção Civil

Pneus

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Os pneus descartados na natureza constituem, nos países mais desenvolvidos e em muitos dos em via de desenvolvimento um enorme passivo ambiental. Nos países da Comunidade Econômica Européia são descartados 180 milhões de pneus, anualmente, e outros 150 milhões somente nos Estados Unidos da América onde estimados 3 bilhões de pneus formam montanhas em áreas desérticas, porém sob iminente ameaça de devastadores incêndios, liberando gases tóxicos na atmosfera. Só no Brasil são produzidos cerca de 40 milhões de pneus por ano e quase metade dessa produção é descartada nesse período. Dos pneus inservíveis, atualmente, 49% estão sendo depositados em aterros, 33% estão sendo reprocessados e recuperados em diversos outros usos, 10% são depositados ilegalmente, 5% é utilizado para recuperação energética e 3% para outros usos diversos como a construção civil. A disposição em aterros sanitários tem se mostrado inadequada, por diversas razões. Assim, vários países adotam medidas para que se dê destinação mais adequada aos pneus descartados.

Pode-se considerar que o Brasil se colocou em posição mais avançada na questão de disposição final dos pneus descartados. A Resolução nº 258, de 26/8/1999, baixada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, determinou que as empresas fabricantes e importadoras de pneus fossem as responsáveis pela destinação final, iniciando com um pneu inservível para cada quatro novos a partir de 01/01/2002 e crescendo ano a ano a proporção até chegar a cinco para cada quatro a partir de 01/01/2005.

Existem vários tipos de pneus em várias utilizações, desde os mais simples para automóveis, motocicletas e bicicletas, até para utilizações especificas como em aviões, máquinas agrícolas ou veículos de competição. No entanto a composição primária se baseia em uma mistura de borracha natural e outros elastômeros com adição de negro de fumo que confere à borracha propriedades de resistência mecânica e à ação dos raios ultravioletas, durabilidade e desempenho. Então essa mistura é vulcanizada em temperaturas de 120ºC a 160ºC na presença de enxofre. Embutido no volume de borracha se encontra uma malha de aço e interiormente há uma manta de tecido de nylon. Esses são os materiais presentes na maioria dos pneus inflados. Existem ainda os pneus de borracha sólida, chamados "pneus maciços" com aplicações restritas. O peso de um pneu de automóvel varia entre 5,5 e 7,0 kg (182 a 143 unidades por tonelada), e um pneu de caminhão pesa entre 55 e 80 kg.(18 a 12 unidades por tonelada).

 

Estrutura do Pneu

 

 

Atualmente existem alguns processos para reciclar pneus, sendo todos, alternativas melhores do que a simples deposição em aterros. A recuperação do pneu consiste em triturá-los em lascas e posteriormente reduzi-los a um pó fino, por vezes realizado a baixas temperaturas para facilitar a cominuição. A borracha não sofre alteração química e continua sendo imprópria para reprocessamento em nova borracha. Os outros componentes podem ou não ser separados, dependendo da utilização do resíduo.
Na mistura com asfalto para a pavimentação de vias e pátios de estacionamento as partículas não são maiores que 5 mm e com umidade de no máximo 2%. Então são misturadas ao asfalto na proporção de 1 a 3% em peso. Nas fábricas de cimento, o produto da moagem, com partículas de 1 a 6 mm, podendo chegar a 50-500 micras, é incinerado no forno como combustível e a fumaça (gases produzidos pela queima) é incorporada ao cimento.
O recuperado, sob certos aspectos, tem propriedades semelhantes à da borracha vulcanizada, porém, como não vulcaniza novamente, não pode ser utilizado como substituto da borracha crua na produção de artefatos. Entretanto, devido a seu custo reduzido e baixo peso específico, pode ser empregado como elemento de carga na produção de saltos e solados de calçados, mangueiras, tapetes para automóveis, etc.
A regeneração ou desvulcanização tenta tornar a borracha do pneu triturado, novamente apta a receber o processo de vulcanização através de vários processos (alcalino, ácido, mecânico e vapor superaquecido). Como resultado ela se torna mais plástica, mas não se consegue as mesmas propriedades para o produto final. Portanto é geralmente misturada a borracha primária para fabricação de novos artefatos. O arame e a malha de aço são recuperados como sucata de ferro qualificada, o tecido de nylon é recuperado e utilizado como reforço em embalagens de papelão.

Para a desvulcanização os pneus triturados são colocados num tanque com solvente para que a borracha inche e se torne quebradiça. Em seguida os pedaços são pressionados para que a borracha se desprenda da malha de aço e do tecido de nylon e um sistema de imãs e peneiras separa a borracha, o aço e o nylon; A borracha é, então, moída e separada num sistema de peneiras e bombas de alta pressão, passando para um reator ou autoclave onde ocorre a desvulcanização da borracha, recuperando cerca de 75% de suas propriedades originais; a borracha segue para um tanque de secagem onde o solvente é recuperado, retornando ao processo. Pesquisas ao redor do mundo estão sendo desenvolvidas buscando diminuir os custos de solventes e de processo, para tornar viável em pequenas escalas de produção.

A borracha regenerada de pneus pode ser empregada na fabricação de muitos artefatos, como tapetes, pisos industriais e de quadras esportivas, sinalizadores de trânsito, rodízios para móveis e carrinhos. Também é utilizada na recauchutagem de pneus, no revestimento de tanques de combustível, como aditivo em peças de plásticos aumentando-lhes a elasticidade e em outros usos.

Outra destinação para os pneus é a reciclagem quaternária, ou pirólise, em que a borracha é incinerada gerando energia e/ou matérias-primas. levados ao reator pirolítico onde, através de uma reação endotérmica, ocorrerão as separações dos subprodutos em cada etapa do processo. Em termos ambientais, o processo é "limpo", resolve integralmente o problema do descarte dos pneus inservíveis e, devido a reaproveitar mais de 90% dos materiais componentes do pneu, pode-se atribuir ao processo, também, um benefício social na medida em que recupera para o reuso materiais que, de outra forma, estariam sendo extraídos da natureza, em fontes não renováveis, inclusive por seu potencial de geração de energia elétrica.

 

Fluxograma da Reciclagem de Pneus
 
Figura 1 - Fluxograma do reaproveitamento de pneus por pirólise.

A reciclagem, ou seja, o reprocessamento do pneu para outros fins, não é a primeira solução em relação aos pneus usados. Existe o processo chamado de recauchutagem, que refaz a banda de rodagem gasta com uma nova camada de borracha, aumentando a vida útil do pneu. Os requisitos para que se possa fazer a reforma são que a estrutura geral do pneu não apresente cortes e deformações, e a banda de rodagem ainda apresente os sulcos e saliências que permitem sua aderência ao solo (ou seja, que na linguagem popular o pneu não esteja "careca"). Em boas condições de conservação, um pneu de caminhão pode suportar até cinco reformas. No Brasil, a reforma de um pneu de caminhão ou ônibus custa em torno de um terço do preço do novo. Já um pneu reformado de automóvel custa 60% do preço do novo, e não se recomenda que seja reformado mais de uma vez. O país ocupa o 2o lugar no ranking mundial de recauchutagem de pneus, o que lhe confere uma posição vantajosa junto a vários países na luta pela conservação ambiental.
A reciclagem dos pneus, aliada a melhor utilização e melhores tecnologias é o melhor caminho para que a indústria automotiva e muitas outras atinjam o patamar de sustentabilidade desejado e imprescindível no novo mundo ecologicamente fragilizado que poderá surgir.


Resolução do CONAMA
 

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